Mês que contempla nosso tradicional folclore popular. Sob os estampidos dos fogos de artifícios, pipocando no céu azul da escuridão, nos confins do Brasil, saudemos efusivamente a festa junina.

Salve! São João, patrono da festa singular.

Salve! São Antônio, coroado santo casamenteiro, aclamado pelas solteironas desejosas do sagrado matrimônio.

Salve! São Pedro, também celebrado e não menos aclamado.

Salve! Os Santos juninos, que coroam nossos arraiás, seja na roça ou na cidade. São festejados em um cenário alegre, farto e agradecido, ornamentado por bandeirolas coloridas, sob o céu estrelado salpicado de balões à luz da fogueira crepitante de São João, embalados pela música típica e contagiante, nos convida à quadrilha.

“ Caminho da cidade!

Caminho da roça!

Balancê!

Olha o pai da moça!

É mentira!

A ponte quebrou!

Já consertou!

Olha a cobra!

Já matou!

Olha a chuva!

Já passou!

Pose para foto!

Ih! Queimou!

Voa andorinha!

Voa gavião!

Olha o caracol!

Preparar para a despedida!

Salve-se quem puder!

Despedida!”

Nesse ritmo festivo tenhamos bom ânimo para com alegria celebrarmos a colheita de nossas boas ações, atitudes e sentimentos em meio à crise política-econômica-social e moral que assola nosso país. Não estamos entorpecidos diante dessa paleta acinzentada que teima macular nossos anseios coloridos, só estamos embebidos de quentão e quentura promovida pela festa junina, universo lúdico que nos permite transcender as mazelas do cotidiano.

Entretanto, miremos no exemplo de São João Batista, que nos convida a conversão, experienciada na fraternidade, na prática da justiça, na defesa da vida, na promoção da dignidade humana, no regaste dos pobres e excluídos:  “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tiver comida reparta com quem não tem” Lc- 3,11

Assim, ensina nosso patrono junino, sob seus desígnios o Brasil verás que teus filhos não fogem à luta.

Viva, São João!

 

Mailda de Jesus Montel Corrêa Arantes

Formação em Direito

Acadêmica em Filosofia