O termo halloween deriva de “All Hallow’s Eve”. “Hallow” é uma designação antiga para “santo”, e “eve” é o mesmo que “véspera”, que designa a noite anterior, ao Dia de Todos os Santos. Desde os primeiros séculos da era cristã, celebrava-se o Dia de Todos os Santos e no decorrer da história a data para a comemoração sofreu alterações, até ser oficialmente instituída como festa universal de Todos os Santos celebrado em 1º de novembro.

O halloween diverge quanto a sua origem, alguns acreditam que tem raiz no antigo festival pagão celta, nas celebrações do Samhain, que significa o fim do verão. Os povos celtas comemoravam o final das colheitas, com festividades que marcavam o início do solstício de inverno. Outros supostamente sustentam que o halloween seja uma mistura das tradições pagãs celtas e o festejo cristão para comemorar o Dia Todos os Santos.

O halloween foi introduzido nos Estados Unidos pelos imigrantes irlandeses. A festa se popularizou adquirindo características diferentes da celebração original, o dia das bruxas americano, nas cores laranja e preto apresenta formas e proporções bem peculiares, casas são adornadas com enfeites macabros, o entretenimento consiste em contar histórias horripilantes a assistir filmes de terror, entre outras atrações sinistras, a abóbora entalhada é o símbolo indispensável, seguindo a tradição popular de usar fantasias e pregar sustos. Foi também em terras americanas que surgiu a tradição moderna de “doces ou travessuras”. Da celebração original restou a alusão aos mortos ou a morte que, ainda, é um tabu na cultura ocidental, brincar ou falar sobre o tema sempre envolve uma sombra de mistério e medo. Depois que o ser humano adquiriu consciência de sua própria finitude, a morte passou a ser fonte de angústias e interrogações. Temida ou compreendida quanto a sua precisão, a morte ocupou o pensamento de muitos filósofos com teorias e ensinamentos sobre esse tema instigante e aterrorizante. Diante desses questionamentos, envolto em névoa sombria, seja brincando com a morte seja extravasando a natureza obscura do ser humano explorando seus aspectos sinistro, o imaginário popular é incitado pelo halloween.

O halloween moderno americano secularizou-se ao longo dos anos e foi exportado para outros países, entre eles o Brasil. Para a população mais conservadora a comemoração do dia das bruxas em terras brasileiras, é vista como mais um produto importado favorecendo a ideologia de consumo. Mas não podemos esquecer que importamos alguns elementos que foram adaptados e absorvidos pela tradição cristã, sendo amplamente divulgados, comercializados e aceitos como, por exemplo, Papai Noel em seu trenó puxado por renas, deslizando sobre a neve que embranquece e gela o imaginário tropical, bem como acolhemos e recolhemos os ovos do coelhinho da Páscoa. Em meio às contradições, numa atitude intrépida, os menos conservadores, mergulham na cultura americana, dispostos a experienciar novos hábitos e costumes, sem que isso os corrompa ou que estejam negando as próprias manifestações culturais, mas apenas explorando novas possibilidades e enxergam no halloween a oportunidade de fazer travessura com a morte celebrando a vida, pois mesmo sabendo que somos mortais, isso não nos impede de viver em contentamento.

Doces ou travessuras!

 

Mailda de Jesus Montel Corrêa Arantes

Formação em Direito                  

Acadêmica de Filosofia