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Semana dos povos indígenas revela cultura contemporânea

Desde quarta feira (24) está sendo realizada a Semana dos Povos Indígenas, no Memorial do Cerrado na PUC-GO, no campus II no Jardim Marilisa. Dentre os eventos, na aldeia, ocorrem algumas oficinas, palestras, exibições de filmes e outras atividades ligadas ao meio ambiente e aos povos indígenas. A rádio indígena, que funciona no local, conta com programação ao vivo, como explica o técnico Nilson De Paula Ribeiro Filho.

Alunos, monitores e indígenas ficam em campo conversando com as pessoas e levando as matérias para a rádio. As oficinas também são produzidas pelos indígenas e abordam temas como web-rádio, a história e as culturas indígenas. Além da rádio web, a rádio Yandê também transmite, durante a Semana dos Povos Indígenas, programação especial relacionada às culturas indígenas.

A jornalista e coordenadora da rádio Yandê, Renata Tupinambá, que também ajuda a fazer a programação ao vivo, conta que a rádio surgiu em novembro de 2013 com outros dois coordenadores: Denilson Baniwa, do Amazonas, e Anápuáka Tupinambá, da Bahia. “Já trabalhamos com comunicação indígena há alguns anos. Eu trabalho desde 2008 com comunicação indígena. Trabalhamos muito em projetos do terceiro setor, devido a várias experiências que já tivemos, sentimos a necessidade de criar um projeto autônomo, algo mais representativo para os povos indígenas”, diz Tupinambá.

A rádio Yandê é a primeira rádio indígena do país com abrangência nacional e também internacional. Segundo a jornalista, mais de 40 países acessam a rádio por meio da internet com programação 24 horas por dia com músicas indígenas de todos os tipos. Não apenas os cantos tradicionais das culturas indígenas, mas também músicas contemporâneas, como MPB e Rock, cantadas em línguas indígenas por músicos indígenas. De acordo com a coordenadora, os indígenas cantam pagode em língua pataxó, MPB em pankararú, forró em língua caiapó. E comenta que as pessoas ficam impressionadas. “Como assim, forró em língua caiapó? As pessoas pensam que só temos os cantos tradicionais, mas hoje vários artistas indígenas estão fazendo música, misturando os gêneros, é bem diversificado”.

Tupinambá conta que a rádio Yandê tem a necessidade de juntar as comunidades, de desenvolver essa comunicação indígena. Hoje a rádio conta com um grupo de colaboradores. Cerca de 160 integrantes de várias regiões do país, de diferentes etnias, enviam notícias e informações sobre o que está acontecendo em suas comunidades. “Nós trabalhamos também com etnomídia que é diferente da grande mídia tradicional como todos conhecem.” De acordo com a jornalista, o foco não é apenas dar notícia ou mostrar o que está acontecendo nas comunidades, e sim o fortalecimento das identidades culturais através das mídias e o registro das memórias das comunidades, de seus anciões, das narrativas antigas. “Isso vai ser algo guardado de geração para geração. É uma forma de transmissão cultural apropriando as novas tecnologias sem perder o poder da nossa identidade”, diz a coordenadora.

As oficinas produzidas tratam de etnomídia com as comunidades. São produções feitas de acordo com cada etnia, com os termos que eles usam. As pessoas tem curiosidade de conhecer outras culturas, então acabam atingindo dois tipos de público. Há também oficinas voltadas para o público não indígena. Nesse caso, os conteúdos trabalhados tentam fazer uma desconstrução, transcender a mentalidade colonialista, a imagem romântica que as pessoas tem dos povos indígenas.

“A perspectiva do evento está sendo muito boa, pois é uma forma de mostrar a realidade, a força das culturas indígenas e também desfazer os estereótipos ao nosso respeito. As pessoas acham que vamos ficar nus o tempo todo, às vezes acham que não temos profissão, escutamos muitas piadas desse tipo. Mas a nossa realidade é muito diferente”, diz Tupinambá.

Artesanato e cinema

Sinvaldo Oliveira, ministrante da oficina de grafismo e cerâmica e integrante do povo Carajá, explica que a oficina é aberta para todo tipo de público. As mulheres produzem peças que representam algum mito ou histórias contadas pelos mais velhos, além de fazerem miniaturas de seres mitológicos. “Cada boneca tem um detalhe diferente que significa algum mito”, explica Oliveira. Ele citou como exemplo a historia de um jacaré que era um homem que, no passado, namorava a mulher do cacique e elas representam essa história fazendo um desenho da índia abraçando um jacaré. “Para nós não é uma lenda, é como se fosse real”, ressalta. Já o grafismo utiliza uma tintura extraída da fruta do jenipapo para representar os animais, segundo Oliveira.

Já o Cine Ambiental surgiu no programa de extensão da PUC Goiás. O cinema tem o objetivo de trazer conscientização sobre a preservação do meio ambiente. Segundo a professora Suely Maria da Silva, o Cine Ambiental é um espaço que envolve toda a manutenção da defesa do meio-ambiente. “A importância de preservar o meio-ambiente é que se não protegermos nossa casa comum, um dia também seremos destruídos”.

No cinema, o público recebe pipoca e pode acompanhar a programação das 8 às 17 horas. Os filmes são abertos ao público de todas as idades. “Temos uma árvore de garrafas PET que incentiva a conscientização sobre a importância da reciclagem e também é símbolo do PROSA que é o programa do meio-ambiente”, explica Silva.

Texto: Yanka Araújo – 5º período Jornalismo

Foto: Danielle Santiago – 3º período Jornalismo

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